quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
A música chata toca e você sabe que mais um dia começou. Sabe também, melhor que qualquer outra coisa, que o ontem nunca mais vai ser amanhã e nem hoje. Lembra dos erros que cometeu ano passado e como podia ter feito diferente, se esquecendo de que o hoje está passando sem que nada mude e os mesmos erros estão sendo cometidos outra vez. 
O ciclo vicioso de pensar no que podia ter feito se repete todos os dias e nunca vai parar até você lembrar que tem o hoje e o amanhã para levantar e fazer o que quer. Mesmo que erre, mesmo que faça escolhas ruins, mesmo que coloque tudo a perder. 
Faça! 
Erre sim, mas não se arrependa por não ter tentado. Quebre a cara, a perna, seu vazo favorito - mas não quebre o hoje tentando inutilmente consertar o passado ou imaginar um outro que não aconteceu. E quando aquela musiquinha tocar novamente, não deixe que o seu despertador desperte a sua dor, mas faça com que ele desperte mais um dia com novas chances e uma página em branco e todas as cores de tinta do mundo: você só precisa ousar em pegar o pincel e desenhar o que quiser. Não deixe mais uma folha vazia no seu livro de memórias, nem fique voltando as páginas tentando pintar por cima da tinta velha.
Digo por experiência própria: borrar os desenhos tentando pintar novas coisas por cima não vai dar certo. Já tentei, já sofri, já pensei que poderia mentir pra mim mesma e imaginar um passado diferente. Que poderia ignorar os erros que cometi ou apenas fingir que nunca aconteceram. Mas é aí que tá: se não existissem erros, não existiria eu sendo o que sou hoje. Eu seria outra pessoa, pensaria diferente e tomaria outras decisões. Porém, agora que errei um monte posso fazer mais um monte de coisas certas. 
Essa é a magia do passado: não podemos consertar, mas podemos olhar para os nossos erros e não fazer de novo.

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